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PALESTINA-ISRAEL:
“Não há outra opção que não a de dois Estados”
Jerrold Kessel e Pierre Klochendler

Jerusalém, 18/11/2009, (IPS) - A Autoridade Nacional Palestina (ANP) embarcou em nova campanha para conseguir um renovado reconhecimento por parte da comunidade internacional das fronteiras de seu futuro Estado.

“Creio que todos verão que é uma boa estratégia, a única que pode salvar a solução de dois Estados”, disse em entrevista exclusiva à IPS o principal negociador de paz palestino, Saeb Erekat, que acompanhará o presidente Mahmoud Abbas em sua viagem por Brasil, Argentina e Chile.

IPS- Nos últimos dias falou-se muito sobre uma declaração unilateral de um Estado palestino. Se é verdade, qual é o propósito e por que foi féita?

Saeb Erekat- Na realidade não estamos planejando declarar nosso Estado unilateralmente, como foi erroneamente informado. O que tentamos fazer é levar ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas um pedido para que a comunidade internacional volte a aprovar a solução dos dois Estados, baseada nas fronteiras anteriores a 5 de junho de 1967. A chave são essas fronteira.s como de costume, Israel está tergiversando nossas palavras para sugerir que estamos prestes a declarar um Estado de maneira unilateral. Não planejamos fazer isso.

IPS- De todo modo, sua iniciativa é unilateral...

SE- Tudo o que tentamos fazer é salvar a solução de dois Estados ao longo das fronteiras de 1967. É Israel que está dando passos unilaterais o tempo todo, mediante sua ocupação, demolição de casas, política de expansão de assentamentos, controles de estradas e postos de passagem. Enquanto isso tentam nos acusar de dar prejudiciais passos unilaterais.

IPS- O modo como o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu falou domingo à noite parecia uma ameaça de que, caso vocês não sigam essa direção, em lugar de retornar às conversações de paz Israel pode responder com outro ato unilateral, como anexar blocos de assentamentos, grandes setores da Cisjordânia.

SE- Na realidade, é a direção israelense que não quer reiniciar as negociações conosco de onde foram interrompidas em dezembro passado (com a guerra de Israel contra o Movimento de Resistência Islâmica, Hamas, em Gaza, seguida pelas eleições israelenses de fevereiro que levaram Netanyahu ao poder). O governo de Israel simplesmente tenta encontrar uma maneira de nos culpar. Isso não convencerá o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, estou certo. O mundo sabe o que está ocorrendo.

IPS- O senhor já convenceu a comunidade internacional do mérito desta estratégia?

SE- O mundo árabe está a bordo: desde a última quinta-feira temos aprovação da Liga Árabe. Esta semana, o presidente Abbas e eu visitaremos Brasil, Argentina e Chile. Creio que todos verão que se trata de uma boa estratégia, a única que pode salvar a solução de dois Estados.

IPS- E Washington? O senhor não teve algumas decepções com os norte-americanos nos últimos tempos? O que diz do fato de terem retirado sua reclamação para que Israel congele suas atividades vinculadas aos assentamentos?

SE- Ainda não conversamos com eles sobre a iniciativa, mas tentamos fazer que isso ocorra logo, e esperamos obter uma resposta positiva do presidente. Queremos continuar com os Estados Unidos. O que podemos fazer? Não temos opção.

IPS- Não seria preferível que Washington aprovasse suas fronteiras?

SE- O plano de fronteiras é o que traçará o Conselho de Segurança da ONU. É imperativo para preservar a solução de dois estados.

IPS- Causa preocupação o fato de Washington poder ver isto como prematuro e inoportuno, e que, assim, vetar uma resolução no Conselho de Segurança?

SE- Os Estados Unidos não devem fazer isso. Será mau para seus interesses, prejudicará sua posição no Oriente Médio. Simplesmente estamos tentando manter viva a solução de dois Estados, que Israel debilita diariamente com suas políticas de ocupação.

IPS- Não deveriam esperar para ver se Washington pode reviver as conversações de paz entre vocês e Netanyahu?

SE- Temos feito o melhor que podemos. Temos 18 anos de negociações. Sirael continua sendo a única autoridade, a potência ocupante de nossos povos e acampamentos de refugiados, e continua com seus assentamentos. Realmente, é o momento. Ninguém está contra o direito de Israel existir. Reconhecemos Israel em 78% de nossa terra e aceitamos que nosso Estado compreenda apenas os 22% restantes.

IPS- Não está ficando muito parte para dois Estados? Cada vez mais palestinos parecem preparados para a solução de um estado de israelenses e palestinos vivendo juntos.

SE- Mesmo sem um sócio israelense seguimos e seguiremos comprometidos com dois Estados. Os israelenses e os palestinos não podem viver juntos sem essa demarcação. Não há outra opção que não essa solução. (IPS/Envolverde)

(FIN/2009)

 
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