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AMBIENTE-ESPANHA:
Greenpeace vê retrocesso em política energética
Tito Drago

Madri, 17/11/2009, (IPS) - O governo socialista da Espanha retrocedeu em sua política energética, segundo a catedrática Maria Novo, para quem se privilegia a geração de energia contaminante acima das renováveis.

Uma mostra dessa mudança de atitude, reforça o diretor do capítulo espanhol do Greenpeace, Juan López de Uralde, é o pedido feito pelo ministro da Indústria, do Turismo e Comércio, Miguel Sebastián, para ser desligado da organização não-governamental ambientalista, por estar descontente com as críticas que a entidade fez à política energética que coloca em prática.

Uralde disse que em sua organização não tem influência o fato de o ocupante de um alto cargo deixar de ser sócio, já que tem 105 mil de todo o espectro ideológico, empresarial, politicoi e trabalhista. Acrescentou, como prova do desinteresses de Sebastián, que o Greenpeace reuniu-se com todos os ministros da Indústria anteriores, enquanto ele “nunca” os recebeu, apesar de ser membro da organização há 18 anos. Por sua vez, Novo criticou duramente o fato de o governo do primeiro-ministro socialista José Luis Rodríguez Zapatero, dar mais atenção à energia nuclear do que à renovável e de agora se apressar em relançar a baseada no carvão.

No plano da energia renovável, a estratégia governamental beneficia as grandes multinacionais em lugar de manter o apoio às pequenas e médias fazendas solares, protegidas por lei em 2004 e desprotegidas por outra em 2007, disse à IPS Novo, responsável pela Cátedra Unesco (Organização para a Educação, a Ciência e a Cultura) de Educação Ambiental e Desenvolvimento sustentável. Esta doutora em filosofia e educação à distância, também professora na Universidade Nacional de Educação à Distância, acrescentou que o governo, além da energia nuclear, se encanta com a termosolar, que exigem maiores investimentos.

Um grande centro produtor de energia, como a termosolar, precisa de maiores redes de transporte, o que aumenta seu custo, e no caso da nuclear este “aumenta pelo alto custo de montar e, depois, desmantelar, as centrais, além do problema dos resíduos, que está sem solução”, afirmou a professora. Para Novo, é “inexplicável a política dos socialistas, muito parecida com a que poderíamos esperar de outro tipo de governo, caso tivesse vencido o Partido Popular”, de centro-direita. Afirmou que é prioritário dar maior atenção e, sobretudo, dar mais apoio financeiro às pequenas e médias fazendas solares, priorizando as cooperativas. Porque isso – destacou – não só protege o ambiente como torna sustentável a tarefa dos pequenos e médios agricultores e permite que chegue às populações rurais uma energia menos cara.

“Sou a favor de se usar o maior reator nuclear de que dispõe a humanidade, que é o sol”, disse Novo. Ela também é consultora da Unesco, integrante da direção da organização Cientistas pelo Meio Ambiente, diretora de pós-graduação Internacional de Educação Ambiental e Desenvolvimento Sustentável e da Rede Internacional de Diplomados Superiores em Educação Ambiental da Universidade Nacional de Educação à distância, assessora da Carta da Terra Internacional e integrante de várias associações ligadas à questão ambiental.

Desde o ministério rejeita-se as críticas e afirma-se que no dia 13 passado o Conselho de Ministros aprovou projeto para iniciar nos próximos três anos, de maneira escalonada, instalações eólicas e termosolares com potência de seis mil 2.440 megawatts, respectivamente. Caso o plano seja cumprido, a média de instalação anual de energias renováveis aumentaria acima das realizadas na legislatura 2000-2003 e na atual, iniciada em 2004, ambas com Zapatero à frente do governo. “A Espanha, que já ocupa um dos primeiros lugares mundiais em energia eólica, se situará como líder indiscutível em energia termosolar”, disse à IPS o ministro Sebastián.

Por sua vez, Uralde afirmou em um comunicado que o Greenpeace é tão antinuclear antes mesmo de Sebastián se tornar sócio dessa organização quanto continua sendo agora. Recordou que a entidade nasceu em 1971 para protestar contra os testes nucleares e que, quando nos anos 80 foi criado do capítulo espanhol, sua primeira ação esteve dirigida a opor-se ao lançamento de resíduos radioativos na fossa atlântica. E, também, criticou duramente o fato de o ministro afirmar que “a energia nuclear é imprescindível” e de seu ministério apresentar recentemente um projeto de lei para subvencionar o uso de carvão nacional.

“Sabe-se, de longe, que o carvão é o combustível fóssil que mais dióxido de carbono (um dos principais gases causadores do efeito estufa) emite para cada quilowatt que produz”. Por isso, acrescentou Uralde, “não parece mais adequado promover a queima de carvão, ainda mais quando isso é feito em plena negociação internacional para chegar-se a um acordo global que detenha a mudança climática”. O ministro Sebastián telefonou para o Greenpeace para comunicar seu afastamento “por discorda das críticas” recebidas dessa organização contra sua política, disse o ativista, afirmando “que não nos preocupa o fato de se afastar ou não, mas sim a política energética que desenvolve”. (IPS/Envolverde) (FIN/2009)

 
Terramérica - Meio Ambiente e Desenvolvimento
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