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ÁGUA-ÁFRICA:
Fundamental para combater a pobreza
Nasseem Ackbarally

Midrand, África do Sul, 16/11/2009, (IPS) - A falta de água limpa e saneamento adequado afeta diretamente a saúde e a economia da África, concluíram na sexta-feira, 13/11, especialistas do continente reunidos na cidade de Midrand, na África do Sul.

Por outro lado, delegados da sociedade civil pediram “mais do que palavras”, ao também participarem da Segunda Semana da Água na África. A ministra da Água e de Assuntos Ambientais da África do Sul. Buyelwa Sonjica, eleita presidente do Conselho de Ministros Africanos da Água para os próximos dois anos, destacou que a cooperação com estes temas será fundamental para romper o ciclo de pobreza no continente. Também enfatizou a necessidade de fortalecer a infraestrutura regional para levar adiante programas de água e saneamento.

Por sua vez, Clarissa Brocklehurst, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), previu que 15 países não atingirão a meta, incluída nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, de fornecer água potável, e 39 não conseguirão a meta referente ao saneamento. “Para se conseguir o objetivo do saneamento na África, 45 milhões de pessoas por ano deveriam ganhar acesso a ele antes de 2015”, destacou.

Brocklehurst disse ainda que, apesar de os desembolsos para a água na África terem aumentado de maneira significativa, a infraestrutura precisa ser atualizada. Também e lamentou que apenas uma pequena parte da ajuda seja dirigida a serviços de água básicos e ao desenvolvimento do saneamento. “Existem três temas contextuais que afetam os investimentos: crescimento populacional, agricultura e mudança climática”, afirmou.

Vários acordos foram assinados na conferência, incluindo empréstimo de US$ 67 milhões concedidos pela Holanda para apoiar o desenvolvimento de infraestrutura nas comunidades pobres. Durante todo encontro foram feitas sessões paralelas sobre temas relacionados, com financiamento e mudança climática. Um assunto recorrente foi a necessidade de vontade política, em conjunto com um acertado conhecimento das realidades no terreno para poder avançar de forma efetiva e eficiente. Os participantes da Semana da Água também revisaram outros temas importantes, com falta de adequada governabilidade e a corrupção em alguns países africanos, além do papel negativo desempenhado em certas ocasiões por grandes empresas de mineração.

Delegados da sociedade civil disseram que, diante das urgentes necessidades sócio-econômicas africanas, mais do que nunca, é importante avançar além dos discursos. “Chega de compromissos. Temos promessas suficientes. Por favor, podemos ver algo de concreto? Neste momento tudo continua igual, e é por isso que a África está atrasada em relação aos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio”, disse a secretária-executiva da Rede da Sociedade Civil sobre Água e Saneamento, Jamillah Mwanjisi. “Em certos países, uma em cada oito pessoas tem acesso a saneamento seguro. Em termos de fornecimento de água, são em sua maioria pessoas ricas em de áreas urbanas que têm acesso, enquanto a comunidade rural pobre deve caminhar oito quilômetros para conseguir água”, afirmou.

Os governos assumiram vários compromissos para resolver estes problemas (A última vez na cúpula da União Africana realizada em julho de 2008 no balneário egípcio de Sharm el Sheikh), mas a sociedade civil diz que sua implementação fracassou devido à falta de dinheiro e de vontade política. “A ajuda dos doadores não é suficiente, e na maior parte é dirigida a nações de renda média (na Ásia ou América Latina) onde, talvez, a brecha (de água e saneamento) não seja tão grande como na África”, disse Mwanjisi. Até há pouco tempo – prosseguiu – o saneamento nem mesmo estava na agenda política dos governos africanos.

Por sua vez, a presidente da Federação Nacional para a Proteção do Meio Ambiente, da Argélia, Fatima Zohra Zerouati, disse à IPS: “A África está muitíssimo atrasada (nos objetivos de água e saneamento) e precisamos de ações já”. Destacou que os líderes deveriam entender que a água e o saneamento são mais importantes do que o exército, que de longe recebe mais recursos em quase todas as nações. Ada-Oko Williams, coordenadora regional da organização não-governamental Water Aid, disse que devem ser priorizados estes temas, criar agências responsáveis e estabelecer planos nacionais de saneamento para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.

A ativista destacou que a Water Aid desenvolveu programas de associação com governos locais em vários Estados da Nigéria, e disse que deveriam ser tomados como modelo em outros países. Williams, reconheceu que algumas autoridades destinaram dinheiro a estes problemas, mas de forma pouco eficiente. Ela disse que é comum ver um funcionário governamental ir a uma aldeia, cavar um poço e ir embora sem promover nenhum tipo de participação da comunidade. “Mas, agora vemos que os governos locais estão entendendo porque devem falar com as pessoas e porque as vozes dos beneficiados são importantes. Também entendem que a comunidade pode ter um papel-chave, principalmente em termos de operações e manutenção das instalações”, disse Williams à IPS. (IPS/Envolverde)



(FIN/2009)

 
Terramérica - Meio Ambiente e Desenvolvimento
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