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SAÚDE
Pneumonia mata 1,8 milhão de crianças pobres ao ano
Chryso D´Angelo

Nações Unidas, 04/11/2009, (IPS) - Marta, de 7 anos, vivia no altiplano central da Guatemala quanto foi atacada por febre alta, combinada com respiração agitada.

No centro médico de sua localidade foi diagnosticada pneumonia severa. Ela recebeu uma dose de antibióticos e recomendaram ao seu avô que a levasse ao hospital mais próximo, a cerca de 30 quilômetros. Graças ao diagnóstico acertado, à ação rápida e aos medicamentos adequados, Marta derrotou a doença. Entretanto, 1,8 milhão de crianças de todo o mundo em desenvolvimento morrerão de pneumonia até o final deste ano.

“Nos Estados Unidos, o baixo custo dos antibióticos torna raras as mortes infantis por pneumonia. Mas no Sul em desenvolvimento, apenas uma em cada cinco crianças recebem remédios”, disse Mary Beth Powers, que dirige a campanha “Survive to 5” (Sobreviver aos 5 anos) da organização não-governamental Save the Children International. O primeiro Dia Mundial contra a Pneumonia, na segunda-feira, serviu para cobrar urgência de governos, profissionais da saúde e do público no sentido de serem adotadas medidas contra esta crise mundial que mata 1,8 milhões de menores de cinco anos a cada ano, muito mais do que sarampo, malária e aids juntos, segundo a Coalizão Mundial Contra a Pneumonia Infantil. “A pneumonia é a maior assassina de crianças que conhecemos”, disse o médico Orin Levine, da Escola Bloomberg, da Escola de Saúde Pública da Universidade Johns Hopkins.

O Plano Acelerado de Desenvolvimento e Implementação de Vacinas Pneumocócicas (PneumoADIP) da Escola, da qual Levine é diretor-executivo, integra a coalizão, bem como uma centena de instituições acadêmicas e organizações não-governamentais como Care, Aliança Global pela Vacinação e Imunização (Gavi) e Save the Children. Esta rede se dedica a facilitar aos países em desenvolvimento vacinas e antibióticos contra a pneumonia, bem como treinar os trabalhadores da saúde para diagnosticar com facilidade de tratar a doença. As vacinas contra os germens Streptococcus pneumoniae e contra os vírus da gripe dos tipos b ou Hib já foram desenvolvidas e testadas no mundo em desenvolvimento, mas não no nível necessário para reduzir a alta mortandade infantil por pneumonia.

“A pneumonia afeta crianças e famílias de todo o mundo, mas seu maior impacto em mortalidade é na Ásia meridional e África subsaariana, onde são registrados 98% das mortes por esta causa”, disse Levine. A Organização Mundial da Saúde (OMS) atribui a mortandade na Ásia à alta população e ao limitado uso de vacinas, enquanto na África incidem a falta destes medicamentos, alta taxa de infecções com o vírus da deficiência imunológica humana (HIV, causador da aids) e as carências do sistema sanitário do Estado. A vacinação é habitual em países de renda alta e média-alta, mas começaram a ser distribuídas no Sul em desenvolvimento apenas há pouco tempo.

Isto está mudando, graças à ação da Gavi, organização de alcance mundial que recebe fundos da Fundação Bill e Melinda Gates, entre outros doadores. A aliança oferece aos países pobres vacinas a US$ 0,15 cada dose. “Ruanda foi o primeiro país africano a lançar uma campanha de vacinação”, disse Levine à IPS. “Estão desenvolvendo um programa baseado nas comunidades para que o tratamento se aproxime o mais possível o lar das crianças”, acrescentou. Doze países solicitaram ajuda à Gavi e esperam pelas vacinas. “Se forem entregues a todos os países em condições de obter ajuda, a vacina poderá salvar as vidas de mais de 440 mil crianças até 2015”, disse a gerente geral da aliança, Julian Lob-Levyt.

O próximo passo na luta contra a pneumonia é a implementação do Plano de Ação Global para a Prevenção e o Controle (GAPP) lançado segunda-feira pela OMS e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Este programa de seis anos inclui a criação de um ambiente saudável para as crianças promovendo a amamentação, alimentação adequada e a higiene, vacinação e tratamento com antibióticos adequados administrados em clínicas comunitárias e hospitais.

O ex-senador norte-americano William Frist, médico e pioneiro em transplante cardiopulmonar, afirmou que seu país está comprometido no investimento em saúde materna, infantil e perinatal. Um projeto em exame no Congresso dos Estados Unidos “amplia o alcance de ferramentas que salvam vidas com vacinas, antibióticos e capacitação de trabalhadores” em benefício de mães e bebês das nações pobres, disse Frist. (IPS/Envolverde)

(FIN/2009)

 
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